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Incentivos e desincentivos


Estava discutindo sobre este assunto com um amigo meu e resolvi pensar mais um pouco sobre o assunto.

Se uma pessoa recebesse a proposta de salário de 1 milhão de reais ( reais porque o dólar está desvalorizado, hehehe ) por HORA, quantas horas esta pessoa trabalharia?

Essa pergunta é clássica em livrinhos de economia básica mas, não leva em consideração vários fatores. As pessoas que acreditarem que esta proposta será válida por toda sua vida E que acreditam que viverão por muito tempo vão trabalhar, talvez, 1 hora por ano ou a cada certa quantidade de anos. Por que? Porque estas pessoas poderão acumular o quanto quiserem em pouco tempo e não terão a preocupação de perder a renda no futuro.

Agora, as pessoas que acreditarem que esta "promoção" é por tempo limitado E que acreditam que vão viver por muito tempo vão trabalhar quase que 24 horas por dia. Por que? Simples, se eu não sei o amanhã e acredito que viverei por um bom tempo, vou acumular o máximo possível para que não tenha uma vida difícil pela frente.

O mais interessante é que, estas pessoas que trabalharem quase 24 horas por dia, vão viver menos e gastar menos, isto significa que no final das contas não serviu para nada o esforço que elas fizeram.

Esta historinha é para exemplificar uma coisa importante: estabilidade social.

Trabalhadores que não têm medo do amanhã trabalham melhor ou pior? Isto é, trabalhadores que podem ser demitidos amanhã trabalham mais arduamente ou menos?

Vamos primeiro aos casos extremos: os escravos. Os escravos como todos sabem tinham o "incentivo" ao trabalho, de, se não trabalharem direitinho levariam chicotada. Isto fazia com que os "trabalhadores" se esforçassem mais? Aumentava a produtividade destes?

Agora ao outro caso extremo: funcionários japoneses. Embora eu não ache este exemplo extremo, é bem distante do caso dos escravos. Os funcionários japoneses antes de 1990 tinham emprego vitalício, incentivo a compras pelo governo ( recebiam para comprar eletrodomésticos por exemplo ) saúde, educação, blablabla. Acredito que não preciso julgar o nível de produtividade destes trabalhadores não é mesmo?

Alguém provavelmente vai argumentar que isto tem a ver com a cultura japonesa do workaholic e que incentivos deste tipo em outros lugares tornariam os funcionários vagabundos bem-remunerados. O que eu digo é que as pessoas que tem este tipo de argumentação não sabem nada de economia, ciências sociais e nem psicologia. Aliás, não sabem nem o que é cultura.

O fato é que economias desenvolvidas ( economias desenvolvidas não são as que tem PIB gigantesco como alguns entendem ) tem muitos níveis de proteção sociais, incluindo o emprego vitalício que garante ao trabalhador que sua função e seu esforço são entendidos como importantes para a empresa, seja esta pública ou privada e no que ele está trabalhando não será jogado no lixo a qualquer hora. E nem ele.

A possibilidade do empregado ser demitido não o tornará mais produtivo pelo medo. Se for assim, deveria ter a possibilidade dele ser fuzilado se não for produtivo pois seria um incentivo maior ainda.

As pessoas que acreditam no incentivo pela punição são as que devem ter sido ratos de laboratório em suas vidas passadas pois quando faziam algo de errado levavam um choque elétrico. Ou devem ter apanhado feito escravos em suas infâncias.

CPMF


Hoje (13/12/2007) a cpmf foi rejeitada no congresso. Vou agora dar minha opinião sobre esse imposto.

Na época do presidente FHC, a cpmf ia ser rejeitada veementemente. Porém, uma pequena mudança no texto fez com que este imposto perdurasse até agora. Antes, o imposto iria recair por todos os cidadãos deste país, incluindo o povo do "mercado" ( os famigerados "investidores" ). Mas, esses cidadãos tão importantes para o desenvolvimento do país (haha) não podiam arcar com o alto custo da cpmf que era o de terem suas contas investigadas ( o custo das pessoas saberem o quanto esse povo lava dinheiro é muito maior do que o custo do próprio imposto ).

Pois bem, o imposto iria recair somente sobre os otários, ops, cidadãos menos importantes, mais especificamente, trabalhadores.

O problema deste imposto é a sua regressividade. Além de recair sobre o lado produtivo da economia, a alíquota única torna o imposto mais regressivo ainda. Se a cpmf tivesse uma alíquota progressiva sobre os rendimentos e recaísse somente sobre os "investidores" seria o melhor imposto do sistema tributário brasileiro.

Mas como tudo aqui é feito por pessoas que comem muita banana... o imposto é ruim e impopular. Se fosse feito como eu disse anteriormente, não seria impopular e nem ruim, seria o imposto perfeito.

O ruim de se perder esse imposto agora é que como o governo é mal gerido ( como sempre ) esse corte vai fazer com que os organizadores do orçamento inventem alguma estripulia para compensar essa perda de arrecadação e provavelmente vai ser o corte de custo em alguma área importante do governo.

( claro que o governo não vai cortar no pagamento de juros para os bancos Itaú ou Bradesco ou mesmo cortar o dinheiro "grátis" que é entregue a algumas ONGs que deveriam ter seus organizadores presos e fuzilados )